• Quem sou eu

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    Sou personagem do livro "Entre o Amor e a Amizade" de Bianca Briones. Mais informações: http://redomadecristal.com.br/livros/ OBS: A imagem é da atriz Emily Vancamp, pensava muito nela enquanto escrevia sobre a Viviane.

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    “O tempo é capaz de desfocar as nossas dores e nos distrair com a vida que segue, mas a dor nunca some por completo. Nós a colocamos num arquivo do coração e evitamos mexer nela.”

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    Redoma de Cristal

Esperaria tudo de novo...

Período do Texto: pós-final do livro. CUIDADO SPOILERS.

Um mês... Esse é o tempo que se passou desde aquele dia no restaurante e só posso dizer que esperaria tudo de novo para viver o que estou vivendo.

Foram anos turbulentos. Os mais variados tipos de perda e os mais intensos modos de superação. Aprendi e amadureci tanto que às vezes me questiono se teria mudado muito. Acho que não mudei tanto assim. Reformulei apenas o que não estava me fazendo bem e passei a agir mais como meu irmão, aquele que consegue tirar uma lição e superar até a maior desgraça. O que o faz ser assim? Uma postagem sobre o Rodrigo não seria suficiente. Ele se vangloria de ser complexo demais para um texto, mas creio que ele seja simples demais. É visível o que ele faz: se algo não lhe faz bem e ele não pode mudá-lo, simplesmente o deixará de lado. Se valer a pena, ele lutará. Se não, seguirá sua vida. Sem maiores dores de cabeça ou complicações. Ele costuma dizer que o mundo é vasto demais para se perder tempo sofrendo ou discutindo por causa de um só assunto. É energia demais para ser desperdiçada. Estou aprendendo com ele.

Escrevo com as costas encostadas numa árvore, o notebook sobre as pernas, sentada em um dos meus lugares preferidos em todo o mundo: Parque do Ibirapuera, bem em frente ao lago. Não é verão, mas o dia está quente. São Paulo consegue ter todas as estações do ano em um único dia. Um brisa agita as folhas ao meu redor e sorrindo me lembro do meu pai e do seu amor por esse lugar. Sim, lembro sorrindo, já sou capaz disso.

Um latido chama a minha atenção e ao longe vejo Apolo correr atrás de uma bolinha e sinto meu coração transbordar de amor ao escutar a gargalhada de Rafael. Rodrigo está ao seu lado com cara de quem não fez nada, mas quem o conhece sabe que aprontou mais uma vez. Sei que Lucas está em algum lugar, mas não o vejo daqui. Isso é sinal de que há alguma garota por perto.

Volto a olhar para Rafael. Ele percebe o meu olhar e me olha de volta, sorrindo. Está tão feliz. Por mais que minha felicidade reflita a dele, meus olhos se enchem de lágrimas por vê-lo tão bem. Ainda continuo me preocupando mais com ele, assim como ele continua se preocupando mais comigo. 

Rodrigo olha para Rafael, depois para mim e pisca um olho. É como se ele soubesse o que penso agora. Sorrio de volta. Acho que nunca fui tão feliz. Não, não acho, tenho certeza. Hoje é o dia mais feliz da minha vida e amanhã promete ser melhor ainda e, se não for, superaremos. Já passamos por tanta coisa para desistir agora.

"You make me smile like the sun."

O tempo

***Poesia postada no livro

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Espero que o tempo passe logo.
É o único que resolverá toda essa questão.
O tempo pode fazer com que o sentimento passe e isso seria bom.
O tempo pode fazer com que você me ame como eu te amo e isso seria bom.
O tempo pode fazer com que eu te olhe com outros olhos e isso seria bom.
O tempo pode fazer com que você me olhe com outros olhos e isso seria bom.
O tempo pode fazer meu coração parar de bater por você e isso seria bom.
O tempo pode fazer seu coração bater por mim e isso seria bom.
Eu só espero que o tempo passe da mesma forma para nós dois.
Só espero que tudo acabe da melhor forma porque me ocorreu agora que o tempo pode ser cruel e pode fazer acontecer exatamente no mesmo momento fatos opostos.
O tempo pode fazer com que eu te esqueça e pode fazer com que você se lembre de mim de uma forma que não quer lembrar, da forma que eu lembro de você hoje.
Se o tempo for cruel, nós vamos passar a vida nos desencontrando.
E eu não aguento mais me desencontrar de você…

Meu eu sem você

Poesia postada no livro

Fechei os olhos.

Não queria ver.

Não queria sentir.

Não queria nada que me lembrasse de você.

Tentei não pensar.

Descobri que o nada ainda me leva a você.

Você não voltará.

A dor é imensa.

O chão se abre aos meus pés.

Afundo mais uma vez.

E agora não emergirei mais.

A minha luz se foi.

Abri os olhos.

Queria ver.

Queria sentir.

Queria que tudo me levasse até você.

Vivendo depois de você...

***Sem Spoilers do Livro

Meu aniversário foi semana passada e se não bastasse tudo o que já fez por mim, Rafael me deu o livro Morte e Vida de Charlie St. Cloud. É claro que ele leu primeiro para saber se eu não morreria de chorar lendo (isso ele só me contou depois). Parece que ele ainda pensa que sou de açúcar.

O livro trata da morte prematura do irmão caçula de Charlie St. Cloud e como ele lidou com isso. Ele tinha uma vantagem sobre as outras pessoas que perdem seus entes queridos: podia ver o espírito de Sam. Isso continua por treze anos até que Tess aparece e, de uma forma maravilhosa, traz Charlie de volta à vida.

Não é fácil ser quem sobrevive. Isso tira um pedaço de você a cada dia e traz muitas questões à sua mente. Conforme lia, me identificava tanto com Charlie que às vezes me sentia sufocando. Uma vez, sonhei com meu pai e parecia tão real. Imagina poder ver seu espírito como no livro? Acho que ficaria presa a ele da mesma forma que Charlie.

Tess também conhecia a dor da perda porque o pai dela havia falecido e foi assim que eles se aproximaram, porque Charlie era zelador do cemitério.

Entendo o motivo do Rafa ter se identificado com o livro e se lembrado de mim. Foi assim conosco. Em nossas dores, nos salvamos.

Lembro-me de um dia, logo no começo de nossa amizade, uns quinze dias após a morte do meu pai, em que ele disse: "A morte é impiedosa, não é apenas quem se vai que morre, quem fica morre também, mas tem a infelicidade de ter que seguir em frente. E ninguém nunca está preparado. Por mais que pense que está."  Ele conhece bem essa dor por todas as perdas que já sofreu.

Naquele dia passei horas refletindo sobre como seria a vida sem meu pai e na fatalidade disso não ser minha escolha. Por isso me identifiquei tanto com Charlie e senti como se a dor fosse minha, na verdade, acho que era. Confundir minha dor com a dele foi inevitável.

Já sofri algumas perdas em minha vida, mas a morte do meu pai foi, de longe, a mais dolorosa porque sabia que, diferente de um emprego, um carro ou um amor, ele não iria mais voltar. Não era só me levantar e recomeçar, não importava o que eu fizesse, nunca mais o veria.

Sei que muitas pessoas colocam sua fé que reencontrarão seus entes queridos após a morte, ainda não sei em que acreditar. A ironia é que meu pai sempre me ensinou a acreditar nisso, mas o perder me tirou completamente o foco. Procuro pensar que ele ainda está aqui ao meu redor, me guiando como um anjo da guarda. Às vezes, nem me guiando, mas estando ao meu lado quando tudo dá errado.

Procuro pensar no que meu pai deixou para mim e trocaria tudo pela vida dele. Aí me lembro que ele me deixou algo que não poderia trocar por nada, ele deixou o meu irmão que, de uma forma maluca, é um dos maiores presentes que já tive. Quem o conhece sabe que o Rodrigo é o Sol em pessoa. É como se a luz dele fosse suficiente para aquecer e iluminar o mundo. Ele me salvou tanto quanto o Rafael. É... Começo a pensar que meu pai está mesmo ao lado de Deus e que ele envia anjos para estarem comigo.  Acho que não estou tão descrente quanto pensava.

Não é fácil viver sem ele aqui. Por um tempo, fingi que vivia porque era o que as pessoas esperavam de mim. Mas a verdade é que mal podia respirar. Ainda assim, tive sorte porque o Rafael surgiu em meu caminho e com seu jeitinho insistente não desistiu até que me tirasse da tristeza e aceitasse o que se passou.

Ainda sinto a falta do meu pai, ainda voltaria no tempo para conversar com ele, ainda desejo que ele não tivesse morrido, mas ele se foi, independente da minha vontade e até mesmo da dele. Ele se foi e eu ainda estou aqui. Sobrevivendo e aprendendo a ser feliz sem ele.

Dói escrever isso, parece que, só por escrever que estou sendo feliz, estou sendo egoísta. Comecei a ler emails antigos do Rafa e num deles encontrei algo que me deu forças para escrever esse texto:

"Quantas vezes preciso dizer que é por amar tanto você que seu pai quer que você viva?

Precisa entender que estar viva não é uma afronta a ele. Não foi culpa sua e mesmo que tivesse sido, você ficou e ele se foi. É uma droga, eu sei, mas morrer em vida é castigá-lo por algo que ele não teve culpa. Ele não escolheu a morte dele e ficaria indignado se soubesse que você está decretando a sua.  

Você viver, ou melhor, passar os dias achando que morreu é desperdiçar a vida que seu pai queria estar vivendo e foi lhe negada.

Sei exatamente o quanto dói porque já estive em seu lugar, quando perdi, quis morrer tanto quanto você. Nós sabemos onde isso terminou. Você não quer aquilo para você e eu não permitiria que chegasse a esse ponto.

A questão é que seu pai queria estar vivo, então, em homenagem a ele, peço a você que viva. Se ainda está tão ferida que não consegue viver por você, viva por ele e antes que perceba retomará o rumo da vida que por direito é sua.

Não há uma fórmula exata. Pessoas que nunca passaram por isso sugerem as mais loucas ideias, mas eles não têm noção de que às vezes mais atrapalham do que ajudam. Eu passei por isso e só digo a você que viva e deixa o tempo se encarregar do resto. Sabemos bem como ele age.

Eu estarei aqui em todo o processo."

Charlie se sente assim durante muito tempo, como se ele fosse o culpado por ter sobrevivido. Passei o livro vendo nossas semelhanças e entendi o recado, Rafa.

Vou viver, afinal, como disse o Florio no livro, se estou viva é por um motivo e não posso desperdiçar o dom que recebi.

Obrigada pelo presente.

Recado da Bianca:

Como Viviane escreve muitos textos, nem todos estarão em ordem cronológica, por isso sempre colocarei aqui o tempo do texto para facilitar a vida de quem leu o livro. Esse foi escrito no segundo aniversário dela após a morte do pai. Ela completou 23 anos e Rafael lhe presenteou com o livro.

Também marcarei no início da postagem se há ou não spoilers que estragariam a leitura do livro. Nesse caso, não há.

Espero que gostem de curtir mais um pouquinho de Entre o Amor e a Amizade.

Inaugurando o Presente...

Ganhei um blog de presente. Imagino que não seja algo que vemos todos os dias.
Meu melhor amigo, Rafael, resolveu que eu teria uma boa maneira de passar o tempo e poderia escrever sobre tudo o que sinto. Já faço isso, na verdade, mas deixo meus textos em folhas espalhadas por aí.
Como ele sabe que escrever me faz muito bem, criou esse espaço para mim. Ele disse que escolheu o layout porque a menininha fez com que se lembrasse de mim e do Apolo, meu labrador. Conhecendo esse pequeno como eu conheço, acho que ele ficaria bravo pelo desenho ser um pouco gordinho. rs Apolo é uma figura. Posso escrever alguns textos sobre ele por aqui também.
Sobre o título, Rafa disse que é porque escondo verdades atrás do meu sorriso. Segundo ele, algumas atitudes minhas são para deixar os outros felizes e faço isso sorrindo para disfarçar o que sinto. Escrevendo não consigo fingir e a verdade aparece. Então, ele espera ver o que se esconde atrás do meu sorriso, se bem que acredito que ele saiba.
Meu pai me disse algo parecido uma vez, mas isso daria um outro texto.
Os prédios ao fundo lembram São Paulo, sempre tão linda e cheia. Ele teve tanto carinho que acho que usarei o layout por um tempo.
Ainda não sei se manterei o blog público ou privado. De qualquer forma, não conheço tanta gente assim para ter tantos leitores.
Agora, pensando no título do post, cheguei a outra conclusão, preciso realmente inaugurar o presente em minha vida. Tenho vivido presa ao passado por tanto tempo. É... Escrever faz milagres em minha vida.
Nós vemos em breve.